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Como avaliar um político?

Para todo problema complexo há uma solução clara, simples e… errada, disse Mencken. O tabelamento do frete, por exemplo. Os caminhoneiros em greve exigiram, o Governo atendeu. Simples – e errado. Esse tabelamento tem efeito negativo sobre a economia e o próprio mercado de serviços de transporte rodoviário de carga, diz o contratante do caminhoneiro e também o Banco Central, responsável por administrar a inflação. O Governo, na verdade, resolveu apenas um problema: a paralisação nas estradas. Transferiu para o Congresso Nacional a decisão de aprovar ou rejeitar o tabelamento do frete, embutido numa Medida Provisória. Como avaliar se essa decisão vai ter sido bem tomada?

Uma boa decisão política é aquela que equaciona um conflito entre partes que enxergam de maneira diferente uma mesma questão, e aponta para um ambiente em que as regras são aceitas pelas partes envolvidas. Por isso a política é a arte de desenhar o futuro.

O dia-a-dia do (bom) político é (1) acompanhar a realidade social, política e econômica; (2) identificar os conflitos relevantes do momento; (3) estabelecer prioridades entre os conflitos; (4) ouvir as partes envolvidas; (5) buscar consenso; e (6) tomar a decisão mais equilibrada.

Isso exige compromissos: (1) engajamento com a sua base, para identificar conflitos e estabelecer prioridades; (2) abertura ao diálogo entre opiniões divergentes; e (3) senso de responsabilidade pelas consequências de suas posições e decisões. O DIAP (www.diap.org.br) classifica os “cabeças” do Congresso segundo cinco qualidades: 1) debatedores; 2) articuladores; 3) formuladores; 4) negociadores; e 5) formadores de opinião. O debatedor é aquele que bem conduz uma discussão. O articulador traz para o debate os lados em conflito. O formulador propõe soluções. O negociador busca o consenso possível. E o formador de opinião é o que adota e defende uma posição específica para, a favor dela, influenciar o debate.

É um erro avaliar um político pelo número de projetos de lei que apresenta, pela ousadia de acusar seus adversários, ou pelo partido em que esteja. A política exige mais. O cidadão de hoje, também. Exige políticos que saibam desenhar um futuro melhor.

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